Da escola de Frankfurt vem a definição de duas visões de progresso que nos interessam no presente texto. Uma, denominada de progresso técnico, apresenta-se como o aumento dos conhecimentos e as capacidades que levam à um alto grau de domínio da natureza e do meio humano. O resultado desse progresso é a riqueza social crescente. Por outro lado existe o conceito qualitativo de progresso, onde se privilegia o aperfeiçoamento humano, para uma existência mais livre e mais feliz, esse é o progresso humanitário.
O que assistimos, a partir do fim do século XIX é o progresso técnico atuando numa intenção manifesta a neutralizar o próprio progresso humanista, sendo esse cada vez mais relegado para o domínio da utopia.
Posto isso, olhamos com preocupação o retrato que temos hoje de uma civilização dominada pela lei do consumo. Inclusive o urbanismo, em nome do “progresso”, tem sido vítima da mercantilização que, eventualmente, encontra seu disfarce em boas intenções, como “manter sua cidade limpa”, por exemplo.
O Autom.ato entende que, por trás de iniciativas como as leis de cidade limpa de Curitiba, São Paulo e Recife existe uma questão ideológica que precisa ser tratada: temos agora uma cidade limpa de quê? a proibição dos cartazes em vias públicas (veículo de comunicação historicamente popular e democrático) com a multa sendo cobrada do artista tem dois efeitos imediatos: 1. Pequenas empresas que sempre trabalharam com cartazes para divulgação que ainda não fecharam suas portas tiveram que reduzir seus funcionários, impacto social desconsiderado pela lei; 2. A nova lei privilegia o relacionamento entre a prefeitura como mediadora do espaço público e as agências de publicidade, que estão supostamente melhor preparadas para lidar com as novas práticas impostas pela lei, numa privatização da rua, em nome de um suposto bem-estar estético, cultural e ambiental da população.
Acreditamos no uso inteligente do espaço público pelo cidadão (ocupemos as ruas!) sem o controle do Capital e com a gestão do Estado, e não o contrário.
Com o intuito de alimentar essa reflexão de um modo, antes de mais nada divertido, o Autom.ato + Yuri Vaz estão presentes no SPA – Semana de Artes Visuais do Recife com o trabalho “Cidade Limpa de Quê?” que se divide em dois momentos:
1.Como um jogo de cartaz semelhante ao jogo de paciência, publicado no formato Imprime-e-Jogue, que está disponível no site do Autom.ato e leva à um passeio pelo Pátio de São Pedro para encontrar um cartaz, que deverá ser levado para a rua, onde em um determinado lugar será ser colado, representando assim o fim do jogo.
2.A disponibilização do cartaz, no Pátio de São Pedro no equipamento indicado no jogo e que poderá ser levado por qualquer pessoa no dia 15, quarta-feira e deverá ser colado em algum ponto da cidade, devendo ser enviada uma foto para o site do Autom.ato, onde será publicada.
Baixe aqui o jogo, imprima, jogue e junte-se a nós nas ruas do Recife no dia 15.