Skip navigation

O grupo Autom.ato, através da produção de imagens, textos, áudio e movimento, tomou para si a tarefa de borrar as margens que inutilmente foram construídas para separar a produção científica da produção artística, a arte visceral do desenho industrial e a vida na academia da vida nas ruas.

Ao abordar essa tarefa o grupo insiste na necessidade de fazer uma síntese entre aspectos ideológicos e formais, para que haja uma verdadeira transferência do trabalho do laboratório/atelier para o campo da atividade prática.

Sendo assim o programa do grupo chama a atenção para controlar a criação de estruturas práticas de forma verdadeiramente aberta e generosa, o Autom.ato resume como pontos fundamentais da sua ideologia:

  1. A interpretação teórica e a assimilação da construção da sociedade baseada na colaboração;
  2. O uso do remix de linguagens como ferramenta básica de construção da realidade a partir do discurso, com todas metáforas e humor que temos direito, bem como das linguagens de programação e da construção dessa continuação da nossa realidade, que está nos artefatos digitais;
  3. Nada deve levar o grupo a se desviar da experiencia das ruas, (desvio que, segundo Xico Sá, nos tirou melhor que estava por vir de Machado de Assis), para isso o uso da Diversão Crítica deve ser o instrumento que nos volte sempre para a experiência real;

Tarefas imediatas do grupo:

  1. Demonstrar teórica e praticamente a incompatibilidade da distinção entre arte, ciência, desenho industrial, engenharia de software, pois como disse Vilem Flusser: “Toda criação cientifica é obra de arte, toda criação artística é articulação de conhecimento”;
  2. Participar de discussões junto à grupos como o Vazão;
  3. Participar de exposições;
  4. Colaborar na produção de capas de discos, revistas, softwares, cartazes, stencils, pôsteres de rua, entendendo que os trabalhos de design do grupo carregam as mesmas características ideológicas dos trabalhos voltados para o ambiente artístico;

O Autom.ato afirma que a cultura artística e científica do passado é nosso material básico de trabalho, assim como toda produção musical é para o DJ.

Inspirados em Alexander Rodchenko, Varvara Stepanova e Aloísio Magalhães, assinam pelo Grupo Autom.ato:

haidée lima e h.d.mabuse

Recife, 27 de maio de 2012

Autom.ato is a group of research and artistic production, composed by  Haidée Lima, Bachelor of Arts at USP, which is currently developing projects in interaction design and h.d.mabuse, self-taught musician and designer, one of the original members of the cultural cooperative swamp (Mangue Beat movement), now chief designer of CESAR.

They work with new media in a collaborative and free way, taking part in projects and exhibitions such as the installation “Journey to the Center of Mangrove”, which is part of Memorial Chico Science in Recife, the first edition of “Pare, Olhe e Escute”, the SPA 2008 and FILE 2007. They were member of the collective Re:combo taking part in brasilian events such as SonarSound SP, Nokiatrends and Transmedia and outside the country at Walker Art Center and Latino Offline in Bucharest.

Obra inédita apresentada pelo Continuum, o ponto de partida do novo projeto do Autom.ato data de meados de 1975, em uma feira de artes no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica, em São José dos Campos). Nesta época, um jovem aluno de engenharia criou uma obra a partir da programação em Fortran, com cartões perfurados de uma impressora IBM 1403, de tambor, que, suspensa no saguão, chamava atenção pelo ruído e movimento do formulário continuo suspenso no ar. O jovem estudante/artista: Sílvio Meira. O nome da obra: “Computadores Fazem Arte”. Baseados exclusivamente nesse relato de memória, pois não sobraram vestígios históricos que o detalhem, o Autom.ato faz sua releitura dessa performance tendo agora a impressora, que apos todoss estes anos, se tornou obsoleta.

Webcams, câmeras de celulares, You Tube, Vimeo… o vídeo na web é hoje um elemento importante e culturalmente universal do nosso mundo contemporâneo.
Tão importante que foi banalizado. Videoramas é uma instalação que homenageia Aloisio Magalhães, e que pretende dar continuidade às pesquisas materializadas através dos seus Cartemas (obras de arte que utilizavam como elementos modulares a tecnologia banal em 1972 dos cartões postais). Os módulos, agora, são vídeos digitais, buscando assim restituir aos numerosos, porém pequenos, registros de celulares e webcams à alegria perdida.

Os Videoramas podem ser vistos no Memorial Chico Science e através do site do Autom.ato na web.

Cidade Limpa de Quê Um conjunto formado por cartazes numerados e assinados e um jogo de cartas distribuído gratuitamente no CFAV e que também pode ser impresso a partir de um arquivo na internet. Esse jogo fomenta a intervenção no espaço público através de um mecanismo que, utilizando como representação os diversos equipamentos culturais do Pátio de S.Pedro, apresenta várias pistas dentro do processo criativo. Com isso é explicitado a participação do caso na obra.

Jogos fazem parte das interações humanas desde a antiguidade. Como parte do processo de criação artística marcaram o século XX sendo utilizados dos poemas dadaístas até mail art e mais recentemente em games digitais. Como entretenimento, por sua vez, existe uma tendência para a volta de jogos de tabuleiro e de cartas como complemento aos jogos de console e portateis. O presente projeto aproxima esses dois universos fazendo citação direta ao jogo de facilitação de processo criativo “Oblique Estrategies” criado por Brian Eno e Peter Schimidt (1975) e o jogo print-and-play Zombie in My Pocket de Jeremiah Lee (2007).

“Cidade Limpa de Quê?” é um jogo de cartas para um jogador, de duração curta, onde você é um  cidadão que está cansado de ver a cidade sendo loteada para publicidade e deseja estampar as ruas com produção artística. O Autom.ato vai lhe ajudar! Mas para isso você precisa encontrar a casa no Recife onde estará disponível o cartaz que então deverá ser colado em um lugar adequado da cidade, nesse momento você deixa a cidade mais ilustrada, levanta a reflexão para os passantes na rua e ganha o jogo. Mas no meio do caminho você precisa tirar cartas de ação que podem diminuir sua saúde e o jogo termina sem você realizar sua tarefa, aí é “game over”, mas você sempre pode recomeçar a jogar :)

Se você concorda com a necessidade discutida aqui e está no Recife durante o dia 15 de setembro, vá até a casa indicada no jogo, onde cartazes impressos estarão à sua espera. Apenas nesse dia você poderá pegar seu cartaz já impresso, colar em algum lugar na cidade, espalhando assim a discussão sobre o tema. Depois fotografe e envia para nós através do e-mail: automato@autom.ato.br

The manguebeat movement was a cultural movement created circa 1991 in the city of Recife in Northeast Brazil in reaction to the cultural and economical stagnation of the city. The movement largely focuses on music, with the result being a mixture of local traditional styles such as maracatu and ciranda) with the imported culture of the MTV generation (rock, rap and hip-hop).

The metaphor responsible for creating  the whole concept and modifying the society around was the direct relationship between the wealth of mangrove ecosystem and pop scene at the time flourished between the cities of Olinda, Recife and Jaboatão of Guararapes.

With the mixed of the references that have feed the movement, generated  a session of the VJing and ViMus, the group found a way to represent the cultural influences of the basic need of network work was essential for all change the relationship people with the city of the reef.

Upon installation, between the images of, among others, Afrika Bambaata, Josué de Castro and Bruce Lee, aerial roots of mangrove ecosystem, dance accompanying the visitors, the increase in number, also increase the density of their rhizomes.

O Mangue (também grafado como mangueBit ou mangue beat) é um movimento musical que surgiu no Brasil na década de 90 em Recife que mistura ritmos regionais com rock, hip hop,maracatu e música eletrônica.

Esse estilo tem como ícone o músico Chico Science, ex-vocalista, já falecido, da banda Chico Science e Nação Zumbi, idealizador do rótulo mangue e principal divulgador das idéias, ritmos e contestações do Manguebeat. Outro grande responsável pelo crescimento desse movimento foi Fred 04, vocalista da banda Mundo Livre S/A e autor do primeiro manifesto do Mangue de 1992, intitulado “Caranguejos com cérebro”.

A metáfora responsável pela criação de todo conceito e a modificação da sociedade ao redor foi a relação direta entre a riqueza do ecossistema dos manguezais recifenses e a cena pop que na época florescia entre as cidades de Olinda, Recife e Jaboatão dos Guararapes.

Foi na superposição das referências que alimentaram o movimento, gerados a partir de uma sessão de VJing do Autom.ato, mixados à versão mangue do ViMus, que o grupo encontrou uma forma de representar a diversidade cultural de influências + a necessidade básica de trabalho em redes, que foi fundamental para toda mudança da relação das pessoas com a  cidade do recife.

Na instalação, entre as imagens de, entre outros, Afrika Bambaata, Josué de Castro e Bruce Lee, Raízes Aéreas do ecossistema mangue, dançam acompanhando os visitantes que, ao aumentarem de número, também aumentam a densidade de seus rizomas.

O PARE OLHE ESCUTE é uma exposição coletiva de artes plásticas na categoria de “sítio específico” que acontece no período de 09 a 31 de março. Esta iniciativa, idealizada pelos artistas plásticos Aslan Cabral, Bruna Rafaella e Mozart Santos acontece no sentido de integrar a produção plástica contemporânea às questões pertinentes da relação entre arte e sociedade – funcionalidade arquitetônica, acessibilidade, percepção estética, circulação urbana, arte-integrada.  A proposta dá-se pela crença no papel comunicativo e aproximador que pode ser cada vez mais trabalhado na arte atual brasileira e mundial.

Estação Central do Recife: por dia 180 mil pessoas cruzam seus portões, atravessando os seus mais recentes pátios ou apertando o passo no museu do trem.

Por esses mesmos portões onde milhares transeuntes desconhecidos pisam diariamente, centenas de histórias se cruzam todos os dias. E é pensando nessa rede de histórias que o Autom.ato propõe a apropriação da linguagem do stencil, típica das ruas, para construção da representação das pessoas que formam a multidão, dentro dessa multidão destaques são dados para personagens típicas do carnaval, numa referência à um dos momentos mais marcantes da estação durante o ano.

Cartaz baseado em música do Mundo Livre S/A.